← Voltar ao blog
Gastroplastia

Gastroplastia endoscópica ou cirurgia bariátrica: qual a diferença?

Dr. Iatagan Josino

Gastroplastia endoscópica ou cirurgia bariátrica: qual a diferença?

As duas reduzem o estômago e ajudam no emagrecimento, mas por caminhos bem diferentes. Compare invasividade, segurança, perda de peso e indicações.

As duas reduzem o estômago e ajudam no emagrecimento, mas por caminhos bem diferentes. A cirurgia bariátrica é uma cirurgia de fato, com cortes e alteração permanente da anatomia. A gastroplastia endoscópica é feita por endoscopia, sem corte e sem retirar nenhuma parte do estômago.

Na minha prática, a gastroplastia endoscópica é a primeira escolha para a maioria dos pacientes. A bariátrica continua tendo lugar nos casos mais graves. Ao longo desta página, explico por quê.

As principais diferenças lado a lado

Gastroplastia endoscópica (ESG)Cirurgia bariátrica
Como é feitaPor endoscopia, pela bocaCirurgia, com cortes
Cortes na barrigaNãoSim
Retira parte do estômagoNãoSim, em técnicas como o sleeve
Altera a anatomia de forma permanenteNãoSim
ReversívelSimNão, na maioria das técnicas
InternaçãoGeralmente alta no mesmo diaGeralmente 1 a 2 dias
RecuperaçãoPoucos diasCerca de 2 a 4 semanas
Perda de peso em 12 mesesCerca de 20% do peso totalCerca de 30 a 40% do peso total
Eventos adversos gravesCerca de 1%Cerca de 4% (complicações maiores)
MortalidadeNenhuma morte relatada no estudo MERITEm torno de 0,1%
Risco de deficiências nutricionaisBaixo, não altera a absorçãoMaior, sobretudo no bypass, com suplementação contínua
Indicação típica (IMC)A partir de 27,5A partir de 35, ou 30 com doença metabólica

Como cada uma funciona

A gastroplastia endoscópica reduz o estômago por dentro. O endoscópio entra pela boca e, com um sistema de sutura, o estômago é costurado e ganha formato de tubo. Não há corte e não se retira nenhuma parte do órgão. Expliquei o procedimento em detalhe na página sobre gastroplastia endoscópica, que você pode conferir neste link.

A cirurgia bariátrica é feita em centro cirúrgico, com cortes. O cirurgião realiza uma redução do estômago através de ressecção de partes dele. A depender da técnica, também pode ser feita uma alteração anatômica das alças intestinais para reduzir a absorção de calorias. Essas alterações são permanentes, irreversíveis e alteram consideravelmente a fisiologia do trato gastrointestinal.

Qual perde mais peso

Aqui vale honestidade. A cirurgia bariátrica ainda é o tratamento mais eficaz para a perda de peso, com estudos mostrando perdas entre 30 e 40% do peso total. Em sleeve, essa perda costuma aparecer já nos primeiros 12 meses.

A gastroplastia endoscópica entrega uma perda significativa, em torno de 20% do peso corporal total em 12 meses, com muito menos agressão ao corpo. Para muita gente que antes só enxergava a cirurgia como caminho, hoje a ESG oferece um resultado expressivo sendo bem menos invasiva.

No entanto, vale ressaltar dois pontos importantes. A maioria dos pacientes com obesidade leve ou moderada não precisa perder tanto peso assim, com a perda de peso da gastroplastia sendo alvo suficiente em grande parte dos casos. Além disso, lembre-se que a eficácia da cirurgia bariátrica cobra um "preço", com risco de deficiência de nutrientes no longo prazo.

Qual é mais segura

A gastroplastia endoscópica tem um perfil de segurança muito favorável. A taxa de eventos adversos graves fica em torno de 1 a 2%, e no estudo MERIT esses eventos ocorreram em cerca de 2% dos pacientes, sem nenhuma morte.

A cirurgia bariátrica é segura quando bem indicada, mas, por ser uma cirurgia de maior porte, envolve riscos próprios de um procedimento invasivo. Segundo a ASMBS, a cirurgia bariátrica moderna apresenta mortalidade aproximada de 0,1% e taxa de complicações maiores em torno de 4%. As séries recentes de gastroplastia endoscópica descrevem eventos adversos graves geralmente em torno de 1%, o que reforça seu perfil menos invasivo. Quando a cirurgia tem complicação, ela tende a ser mais séria e às vezes exige reoperação, enquanto os efeitos da gastroplastia são geralmente leves e passageiros.

Reversibilidade e preservação do estômago

Essa é uma das maiores diferenças, e costuma pesar muito na decisão do paciente.

A gastroplastia endoscópica preserva o estômago. Como não se retira nenhuma parte do órgão, as suturas podem ser ajustadas ou removidas por endoscopia se houver necessidade.

Por outro lado, a cirurgia bariátrica envolve ressecções e alterações anatômicas permanentes, com influência importante na fisiologia do seu trato gastrointestinal.

E o risco de desnutrição?

Essa é uma das maiores vantagens da gastroplastia endoscópica, e quase ninguém fala dela.

O bypass, uma das principais técnicas de cirurgia bariátrica, desvia parte do intestino. Esse desvio reduz de propósito a absorção de calorias, mas reduz junto a absorção de vitaminas e minerais essenciais. Por isso é comum quem fez bypass precisar de suplementação para o resto da vida, e mesmo assim ter deficiências de ferro, vitamina B12, cálcio e vitamina D. Estudos de longo prazo mostram que essas deficiências são frequentes mesmo com suplementação.

A gastroplastia endoscópica não mexe na absorção. Ela reduz o volume do estômago e a velocidade do esvaziamento, mas o intestino continua intacto. Você absorve os nutrientes normalmente. Por isso o risco de desnutrição é muito menor.

Para quem cada uma é indicada

A gastroplastia endoscópica pode ser indicada a partir de IMC 27,5, e já pode ser a primeira escolha de quem prefere o procedimento ao tratamento medicamentoso. A cirurgia bariátrica costuma ser reservada para os quadros mais graves, em geral a partir de IMC 35, ou 30 com doença metabólica.

A indicação certa depende de cada caso. Detalhei quem é candidato à gastroplastia endoscópica em uma página específica, que você pode conferir neste link.

Afinal, qual escolher

Na minha prática, a gastroplastia endoscópica é a primeira escolha para a maioria dos pacientes. Ela entrega uma perda de peso significativa preservando o estômago, sem corte, com recuperação rápida e de forma reversível.

A cirurgia bariátrica continua sendo uma ferramenta importante nos quadros mais graves. A melhor escolha é sempre a que se encaixa no seu caso, e isso se define em avaliação.

Perguntas frequentes (FAQ)

A gastroplastia endoscópica substitui a cirurgia bariátrica?

Para a maioria dos pacientes, a gastroplastia seria minha primeira escolha, reservando a cirurgia bariátrica para casos de falha ou obesidade grave.

Posso fazer a cirurgia bariátrica depois, se precisar?

A gastroplastia endoscópica, apesar de ter um caráter definitivo, pode ser revertida se necessário. Nesse caso, a cirurgia bariátrica pode ser realizada em um segundo momento, sem contraindicações.

Qual das duas dá menos efeitos colaterais?

Sem dúvidas, a gastroplastia, por seu caráter menos invasivo.

Referências

  1. Neto MG, et al. Safety and short-term effectiveness of endoscopic sleeve gastroplasty using OverStitch: preliminary report from a multicenter study. Surg Endosc. 2020. DOI: 10.1007/s00464-019-07212-z. (19,7% de perda de peso total em 12 meses)
  2. Abu Dayyeh BK, Bazerbachi F, Vargas EJ, et al; MERIT Study Group. Endoscopic sleeve gastroplasty for treatment of class 1 and 2 obesity (MERIT): a prospective, multicentre, randomised trial. Lancet. 2022;400(10350):441-451. DOI: 10.1016/S0140-6736(22)01280-6. (eventos adversos graves em cerca de 2% dos pacientes, sem mortalidade)
  3. IFSO Bariatric Endoscopy Committee. Evidence-based review and position statement on endoscopic sleeve gastroplasty for obesity management. Obes Surg. 2024. DOI: 10.1007/s11695-024-07510-z. (taxa combinada de eventos adversos graves de 1,25%)
  4. American Society for Metabolic and Bariatric Surgery (ASMBS). Metabolic and Bariatric Surgery, seção Safety and Risks. Disponível em: asmbs.org/resources/metabolic-and-bariatric-surgery. (mortalidade aproximada de 0,1% e complicações maiores em torno de 4%)
  5. Weight loss dynamics after laparoscopic sleeve gastrectomy: a retrospective single center analysis. Sci Rep. 2025. DOI: 10.1038/s41598-025-93826-4. (perda de peso total de cerca de 32 a 40% em 12 meses, conforme o peso inicial)
  6. Perioperative mortality in bariatric surgery: meta-analysis. BJS. 2021;108(8):892-897. DOI: 10.1093/bjs/znab245. (mortalidade combinada em torno de 0,08%)
  7. Chen L, et al. Long-term prevalence of vitamin deficiencies after bariatric surgery: a meta-analysis. Langenbecks Arch Surg. 2024;409(1):226. DOI: 10.1007/s00423-024-03422-9. (deficiências nutricionais frequentes no longo prazo após cirurgia bariátrica)
  8. Vitamin and mineral deficiency 12 years after Roux-en-Y gastric bypass: a cross-sectional multicenter study. Obes Surg. 2024.

Dr. Iatagan Josino

Tratamento clínico e endoscópico da obesidade

Agonistas GLP-1 (semaglutida, tirzepatida)

Gastroplastia Endoscópica (ESG)

Jundiaí/SP · CRM-SP 171548 · RQE 120562

O método do Dr. Iatagan Josino

Avaliação individualizada em emagrecimento, longevidade e saúde metabólica. Cada protocolo é estruturado em etapas para gerar resultados consistentes.

Agendar Avaliação
@dr.iatagan